12/1/2009
7/22/2009
Então encerro aqui essa jornada de um dia ainda virar gente. Não que eu já tenha virado ou coisa e tal, mas esse blog já deu o que tinha de dar
Sou da época em que blogs não eram comerciais, não escrevíamos pra ganhar dinheiro nem pra ter reconhecimento. Escrevíamos porque desejávamos sair do padrão miguxês e tínhamos coisas interessantes a contar.
Sou da época em que se formavam panelas e os comentários eram pra pessoas seletas. Escrevíamos quase todos os dias, nos comunicávamos todos os dias, mas como tudo o que começa um dia tem fim.
Escrevi no extinto Weblogger, no esquisito zip.net, criei milhões de blogs, deletei milhões de blogs e não sei até onde continuei escrevendo aqui como uma ode ao passado. Pelo que ele representa pra mim. Aqui dos 16 aos 22 anos.
Aos 16 anos cool era quem sabia fazer templates legalzeeeenhos e escrevia na terceira pessoa, hoje todos sabem fazer layouts (template é coisa do passado) e não se preocupam exatamente em escrever, tínhamos concursos, manifestações e uma adorável sede de competitividade, talvez.
Aqui no Blogger Brasil apareci duas vezes no Blog Of Notes, fiquei famoUsinha, mas o tempo passou e o Blogger foi abandonado e parou no tempo. Na minha época cool era ter blogger.com.br e agora o povo só pensa em seudominio.com.br
Falando na minha época desse jeito pareço velha e realmente me sinto uma blogueira anciã, porque o prazo de validade já foi há séculos.
Triste é ter de esperar o Blogger deletar esse querido blog, pois temos até 90 dias para entrar e não consegui transferir os arquivos para outro servidor.
Pois é, é o fim.
Aqui jaz as acontecências de uma menina – parte final.
Juliana Lobo às 7/22/2009 12:43:36 PM
7/1/2009
Tentando manter a memória viva.
Juliana Lobo às 7/1/2009 03:40:44 PM
4/25/2009
Mais que isso.
Eu não preciso seguir padrões para acertar nem errar. E é errante que eu vou seguindo, com sucesso e cautela, com meus passos guiados, minha consciência limpa e o melhor de tudo com o caráter intacto.
Muitos gênios se acabaram por aí numa vida mundana, porém muitos foram além de sua reputação e provaram ser mais.
Melhor assumir-se um ser complexo e cheio de defeitos do que posar de santinha. Enche os olhos, mas falta conteúdo.
Fiquem aí com as suas especulações.
Porém, nunca disse que fui santa, quanto mais gênio.
Juliana Lobo às 4/25/2009 08:28:40 PM
3/6/2009
Diarinho.
Todos estão achando estranho o fato de eu não comemorar o meu anivesário do jeito usual. Quero passar sozinha e no máximo com uma garrafa de uísque. Falam de aniversários como se realmente fossem grandes coisas, ainda mais o meu. É apenas o dia em que me jogaram nesse mundo de malucos e eu acabei por me tornar mais uma. Cada vez me sinto mais perdida e isso é urgente. Urgentíssimo. Se eu terminar de me perder como vou me achar? Como vão me achar? Como seria esse caminho? Eu definitivamente não sei. Acho que realmente parei no tempo. Ou desisti de tentar continuar essa existência estranha. Nada mais vaz sentido, nada. Por enquanto vou seguindo, vendo o que vai dar... E é isso que me preocupa. O destino sempre acaba me pregando peças. Mas isso passa, não é?
Ouço o celular tocar no outro quarto. Deve ser algum amigo, conhecido, parente, desesperado ou coisa qualquer querendo adiantar os parabéns. Afinal, faltam apenas mais alguns minutos... Pff, parabéns por quê? Expliquem-me.
A cada ano vou ficando mais louca e pior. Pioro, decepciono, aprendo, viro pedra em vez de gente. Não sei mais chorar. Merda. Todos esses posts deprimentes, todas essas palavras deprimentes, tudo o que ninguém quer ler, muito menos ouvir.
Amanhã dia 7, sim é o meu aniversário e por favor, não me dêem os parabéns. Parabéns, meus caros, sinceramente é o caralho.
Deixem-me com a garrafa de uísque. E só. Quem sabe embriagada eu consigo chorar.
Telefones desligados e Juliana desligada. Pra você e para o mundo.
Minhas sinceras palavras e desculpas.
Parabéns pra mim!
Juliana Lobo às 3/6/2009 11:34:59 PM
2/26/2009
Luciana - parte II
Presente. Substantivo comum, mas próprio de Luciana.
Luciana é um presente e o presente, mudando apenas os artigos. Deveria vir embrulhada em papel celofane e um laçarote vermelho. Sim, deveria.
Luciana não se espera e nem cai na mortalidade vil do ostracismo, com ela se está/não está, tem/não tem, vive ou morre. Tudo de uma vez. Agora. Nesse exato momento.
Conjugada no presente do indicativo e sem definições e regras gramaticais, é com a delicadeza de seu momento ou em seus olhares de impaciência que vai surgindo, pouco a pouco ensinando o seu português. Azar de quem ignora a sua gramática, de quem não vive esse o/um presente, mas fazer o quê? Quem realmente hoje em dia quer decididamente desvendar alguém? Poucos. Confesso que tive sorte.
Fez de meus dias mais serenos mergulhados n’um sorriso largo e grossos aros de óculos, além de livro (como citei anteriormente), Luciana deveria ser remédio. Doses homeopáticas ou superdosagens, overdose que não faz mal algum, só bem. E bem e bem e bem. Repetidamente bem.
Pergunto-me às vezes, quem seria o seu remédio, mas não sei. Em tempos a maturidade por si só já basta. Mas não adianta especular, porque ela é presente, é o hoje, é já. Já. Suas respostas mudam, junto com o seu tudo ou nada. Rápida demais, decidida demais, os segundos não se atrevem a demorar. Não com ela, presente puro.
Um presente.
O presente.
Escolha o seu artigo. Ou fique com os dois. Mas depressa. Luciana não pode esperar.
Juliana Lobo às 2/26/2009 03:26:07 PM
2/20/2009
Veio sem querer. Do nada deu vontade de chorar, eu temi. Temi a mim mesma e toda aquela solidão que me corroia. Eu senti um frio na espinha, minhas mãos ficaram quentes e tudo o que eu queria era que passasse. Que tudo fosse deixado de lado. Não é pra pensar em infelicidade nessa hora, mas não dá. Não dá.
Não dá pra ignorar a solidão, há anos que eu não me escuto. E hoje, quando eu parei, vi que nada me restava a não ser montes de pedaços de mim. Não me pergunte quem sou. Por favor. Por favor. Por favor.
Sinto que vou estourar, explodir como um balão, porque estou sozinha. Sou eu e eu mesma e eu não gosto de mim. Não gosto do que me tornei ou de como as coisas andam aqui por dentro. Eu juro que eu quero chorar, mas não sai uma lágrima. Nenhuma.
A solidão é cruel, necessária, mas sua crueldade é maior que a sua necessidade.
Eu me odeio. A solidão que disse.
O que eu faço com os pedaços de mim?
- e a Colombina chora, em pleno Carnaval. Sem Pierrot ou Arlequim. Chegou a sua vez.
Juliana Lobo às 2/20/2009 08:27:20 PM
2/6/2009
Luciana.
A Luciana é poeira. Aquela pessoa que não se limita e não se permite limitar. Limitar-se é perder o caminho, é diminuir. Como poderia diminuir alguém tão grande assim? Que afogenta tão certeira aquilo que fere e passa fome de alma.
Linda. Tão precisamente linda que tudo se encaixa em pouco tempo. Em poucas horas encaixou-se em mim, como parte vital da minha prolixidade. Hermética, assim como eu, vi seu destaque em Clarice, porém tive o desprazer de experimentá-la efêmera. Emeferidade que dói quase sem querer, mas rompê-la é fato consumado.
Luciana não merece que a definam. Luciana vai além de meros adjetivos. Luciana é Luciana e só.
E tudo isso.
Luciana deveria ser livro.
Juliana Lobo às 2/6/2009 01:00:18 PM
2/4/2009
Eu não sei o porquê exatamente que ela me atrai.
Deveria ser proibido amar alguém assim escondido.
Mas aí é que ficaria ainda mais gostoso.
Juliana Lobo às 2/4/2009 05:42:51 PM
12/8/2008
Faz um tempo que escrevi esse texto, ficou perdido no meu computador não-finalizado. Resolvi postar do jeito que está, rascunho mesmo.
Que seja.
Eu nunca desistiria de você.
Comprou óculos de aros grossos e azuis que parecem pretos, mas não são, são veementemente azuis e ela acredita nisso. Lentes são sua máscara, são seu outro eu. A partir daí ela não é mais ela, ela esconde os olhos de sono, de cansaço de estar farta das coisas. Vira uma antagonista, o oposto da mocinha, o oposto de si mesma.
Ela é insuportável, ela grita, ela franze as sobrancelhas, cruza os braços e as pernas, ela fica muda, ela odeia a antagonista. Ela não é ela.
As mãos no rosto refletem preocupação, preocupação que a antagonista tome conta dela, mas ela sofreu, chorou demais e esta está tomando conta [...]
Juliana Lobo às 12/8/2008 12:39:18 PM
11/4/2008
Nem tudo o que queremos tem o poder de durar pra sempre. Às vezes é preciso aceitar as derrotas e tudo aquilo que se foi. Os dias são outros e você não é mais o mesmo. O belo será belo na sua eternidade, mas não nesse mundo de minutos contados. Aqui será frio e solidão e ainda assim a solidão mais perfeita.
Seguir em frente evitando a tristeza, não olhar o que não deve ser visto, erguer a cabeça e os ombros; os outros te afetam a cada dia mais e mais e isso durará até que se prove todo o contrário. As vidas seriam mais bonitas unidas, mas não é pra ser belo, apenas conveniente.
E que assim seja.
Juliana Lobo às 11/4/2008 12:32:36 PM
10/21/2008
É sempre um sonho. Seja lá o que houver nessa vida, será sempre sonho, quando for ver já acordou.
Seu telefone roxo não deixava mentir, era raiva, fúria, era sei lá mais o quê. Coisas efêmeras deveriam ser realmente efêmeras, mas não são. Esquisito isso. Cansou de usar paradoxalmente as palavras e cansou de usar o ‘paradoxalmente’. Muitas coisas na cabeça e nada ao mesmo tempo. Chegou ao ponto de tanto não saber o que fazer e passou a fazer tudo, e nesse tudo se perdeu. Pra sempre.
É dramática, she’s the drama queen. O seu telefone roxo não a deixa mentir
Juliana Lobo às 10/21/2008 04:50:58 PM
9/29/2008
Hoje eu percebi que a ordem das coisas estão completamente erradas.
Juliana Lobo às 9/29/2008 12:31:59 PM
9/18/2008
Sobre esse blog:
Convenhamos: Virar gente não é nada fácil. Ainda mais para uma menina sonhadora, romântica e que nem é tão estranha quanto acha que é. E convenhamos de novo: Deve dar uma preguiça ter que virar gente... O bom mesmo é viajar em linhas criativas enquanto Juliana Lobo cativa qualquer bom leitor que tropece nesse pedacinho de Maricá na internet. Visite a Julles e conheça as acontecências perfeitamente acontecíveis na vida de qualquer um.
Por Marcos Oliveira em 03/04/2005
Juliana; acho que alguns dos melhores textos que eu já li foi ela quem escreveu. O Ainda Viro Gente tem textos magníficos, todos escritos pela Ju. Cada história tem um gosto diferente. Porque é assim. As histórias da Juliana são assim, umas mais salgadas, outras tão doces e ainda tem aquelas azedas, que chega a arder a boca. Mas todas levam o mesmo tempero, e são todas saborosas.
Por Luciana Brandão em 11/09/2006
Juliana, eu vou aí te dar um pedala!!! Estudando ADM Juliana!!!
Você escreve muito pra tá se preocupando com números!!! Essa piveta foi minha aluna de Design, agora já tá uma moça, tem até um Blog!!! Heheheh
Brincadeiras a parte, quem quiser ler linhas descoladas e inteligentes passa lá. Atente ao fato de que você não estará lendo sobre a Juliana, você estará lendo sobre um personagem!!!
Jú, você é um personagem!!!
Por Henrique Vasconcellos em 04/01/2008
O meu blog já teve qualidade. Saudade desses tempos virtuais, onde formamos panelas. As coisas deveriam ser pra sempre, mas não são. As pessoas deveriam ser pra sempre, mas pra isso elas precisam querer ficar também.
Provavelmente eu devo ter perdido por aí mais algumas resenhas sobre esse blog, ou sobre mim, mas como eu escrevi, estão perdidos, mas guardados na lembrança. É engraçado ler-me depois de tanto tempo, posts antigos, blogs antigos, tanta coisa que excluí, tanto passado que gostaria de a nostalgia de reviver. O weblogger não existe mais, apagou-se o primeiro blog aindavirogente que fiz, quando isso ainda era um diário descrito.
Hoje o que escrevo é um circo de tudo o que vivi, um embaralhado de dias confusos e alegres, mas enfeitados com uma lona colorida. Claro que nem tudo existiu. Claro que algumas coisas foram totalmente ensaiadas pela minha cabeça. Mas sou eu, é parte de mim.
Não sei até onde isso tem sentido, mas realmente sinto falta da época que isso aqui tinha realmente importância pra mim. Que poderia desabafar a qualquer momento sem ninguém saber. Sem nenhum apelo as pessoas comentariam sobre a minha vida sem ninguém suspeitar que na verdade, pedia uma opinião. Escrevo pra desabafar, para demonstrar idéias, porque não parecer genial? Todos querem parecer mais do que são. Eu também queria.
A nossa panela morreu, os blogs desandaram, posts quase diários tornaram-se cada vez mais escassos, a qualidade não é mais a mesma, somos órfãos de criatividade. Somos órfãos de tempo.
Não quero que isso aqui se torne um cemitério de textos cuspidos, quero fugir dos clichês que por tantas vezes saudei. Clichês matam. Digam não ao previsível.
E eu que agora virei gente, evito o estigma de mulher previsível. A beleza está em toda aquela imprevisibilidade dos impulsos.
Se não posso me dedicar, não mantenho.
E ponto final.
Juliana Lobo às 9/18/2008 03:14:47 PM
9/1/2008
Ontem eu te fiz rasgar todas as cartas e fotos desse passado tão insignificante. Não por amor e sim por desamor. Não queria provas de sentimentos, apenas queria que não me negasse, que dissesse sim aos meus tormentos.
Você rasgou as cartas e fotos. E as lembranças? Você apagou? Partiu-as quatro vezes. Não entendo o significado do número. Talvez não haja nenhum significado, porém foi no dia 8 de novembro que você errou.
8 é o infinito. O infinito de pé e a partir de hoje perdeu todo o significado pra mim. Você disse que ficou de luto por três meses, mas façamos a conta: foram exatamente 44 dias, um mês e meio, faltou mais outro e meio pra você chorar.
Amanheci vazia, sem mim, sem nada. Perdi-me nas ondas dos seus cabelos e não sei se vou conseguir me encontrar. Não deveria ser assim, mas é.
Abandono hoje a aliança, dois círculos, nosso símbolo do infinito. Ainda bem que não tatuei em mim.
Ainda bem.
Juliana Lobo às 9/1/2008 11:04:02 AM
8/11/2008
Chuveiros, rosas de plástico e fotografias.
O chuveiro me irrita. A água não esquenta o suficiente. Nos dias frios dá vontade de só trocar a calcinha, mas acabo entrando no chuveiro, a irritação me faz sentir viva. A luta travada todos os dias com um objeto, um maldito chuveiro que não esquenta. Às vezes ganho, nem sempre perco.
Há uma rosa de plástico em minha mesa, ela está lá há mais de um ano, uma rosa imortal. A imortalidade me assombra. Todo mundo quer ser lembrado pra sempre, quer ser algo ou alguém, quer aquela sensação infinita de vivacidade. Algumas pessoas devem desejar apenas por um dia travar uma luta com o chuveiro, mas elas não assumem, estão sendo invejosamente felizes.
Todos os dias eu olho pra rosa e ela sem olhos revida o olhar. Rosas de plásticos não precisam de vasos, ela está ali jogada em um porta-caneta, entre um marca-texto e um pilôr. Algumas vezes cismo que ela me pede água ou sol, ou que a tire dali. Só então percebo que condenei a rosa a viver os meus dias. O lugar dela não é ali. Acho que a rosa me rejeita.
De tanto conviver com quem não suporto nessa vida, desaprendi a tratar as pessoas que amo. Tenho seis fotos na minha mesa cinco delas são de pessoas com quem trabalho, cinco fotos de pessoas que não suporto mais ver. Mas há uma que foge a regra e é pra essa foto que olho quando a rosa me rejeita, nessas horas eu lembro que não sou o monstro que finjo ser.
Acho que vou rasgar todas as fotos e jogar a rosa de plástico no mar.
Pensei em consertar o chuveiro. Desisti.
Juliana Lobo às 8/11/2008 12:36:18 PM
7/14/2008
Hoje percebo que tudo o que vivemos foi uma grande mentira. Talvez uma mentira convincente, talvez não. A questão é que nunca houve amor da sua parte.
Que pena.
"E vamo que vamo."
Juliana Lobo às 7/14/2008 09:45:01 AM
7/10/2008
"preciso, no meu público, de todos aqueles que não me suportam.”
fernanda young
Juliana Lobo às 7/10/2008 03:56:11 PM
7/3/2008
Última carta à Umabel
...mas não tem revolta não
eu só quero
que você se encontre
ter saudade até que é bom
é melhor que caminhar vazio
a esperança é um dom
que eu tenho em mim
eu tenho sim
não tem desespero não
você me ensinou
milhões de coisas
tenho um sonho em minhas mãos
amanhã será um novo dia
certamente eu vou ser mais feliz...
sonhos - peninha
Querido Umabel,
Esta é a última carta que escrevo a ti, uma carta cheia de lágrimas e sentimento. Se pudesse escolher não a escreveria, mas não posso. Decidiu-se. Por si só.
Éramos destruidores e hoje sou destruída, o destino pregou a peça da dor em mim e dói. E muito. O meu mundo veio por água abaixo e não quero admitir, mas o destino é coisa tão complicada que não adianta muito tentar entender. Pensei que eu te magoaria, com todas as minhas indecisões e devaneios, mas foi você que me magoou inúmeras vezes. Foi a mim que machucou a facadas, como se eu realmente nunca tivesse existido em mim. Sabe o quão paradoxo é isso?
Criou paradoxos em minha vida, criou o sentimento mais lindo do mundo, criou a dor mais mortal de todas, criou o nó na garganta, o passo apertado... Tu ainda és o artesão dos meus dias, pois ainda incide total presença neles dentro de mim. Você nunca me amou, fato; e eu me deixei cair em seus braços como criança que começa a andar, o que se faz verdade. Você me ensinou a andar pelos seus caminhos, pena que me fez voltar.
Nunca me amou, pois me descartou sem tentar, porque me deixou ir embora, porque existe alívio em seu coração. Saber que a minha falta te alivia me consome, não tens noção do que arrancou de mim. Meus sorrisos não são mais sinceros, minha vivacidade se tornou fosca, meu olhar não anda mais o mesmo e por quê? Por um destruidor. Fui destruída covardemente afundada em sonhos que nunca serão concretizados. Tentei.
Tentei ser o melhor por nós dois, tentei te fazer feliz, que nunca pudesse me esquecer e hoje estou morta pra ti. Estou morta pra mim também, o mundo mais belo existente virou pó, virou foto na carteira, virou música. Ouço a sua voz e choro, sem medo de admitir, porque ainda sinto. Sinto o amor que tenho por você escorrer pelos meus olhos todos os dias desde então.
Disseram que vai passar que vai virar coisa bela, que vou voltar a sorrir e vou sim, uma hora vou voltar a sorrir, mas não agora. Agora por onde passo lembro de ti e não sei de onde sinto seu cheiro. Isso sangra lentamente e a saudade corrói o que resta e já não resta muita coisa.
Eu amo você e isto não mudará, tudo que passamos juntos foi lindo e nessa beleza nos perdemos e não nos encontramos mais. A tristeza que fica é de dias tão belos que não voltarão. E nem eu voltarei, não mais, não sempre, não sua.
Quero lhe parabenizar por ter me destruído, logo a mim tão confiante. Ficarás marcado como meu destruidor, quem contornou a muralha que existia dentro de mim e hoje ela se reergue novamente involuntariamente.
A eternidade do amor, a eternidade da dor.
Da sua e pra sempre sua,
Larissa
7/2/2008
Mas a dor é tão grande que até compartilha-la dói, entende?
Juliana Lobo às 7/2/2008 05:51:45 PM
7/1/2008
É hora de aprender a caminhar sozinha.
Juliana Lobo às 7/1/2008 10:32:15 AM
4/19/2008
"_Era uma distração." - ele disse.
Descobriu-se ingênua e nem sabia.
Juliana Lobo às 4/19/2008 12:05:18 PM
4/8/2008
Não é que eu não seja explícita, pelo menos eu sempre achei que era, mas hoje descobri que no meio da total falta de vergonha na cara pode haver sim um pouco de timidez.
Nunca gostei exatamente de me expor, não a figura propriamente dita, mas eu mesma, euzinha, a por trás de todas as máscaras da vida. Não é que eu seja falsa ou coisa assim, mas para sobreviver nessa sociedade caótica é preciso esconder determinados pontos de si mesmo. É assim comigo, é assim com todo mundo.
Quem me conhece imagina uma coisa, a maioria me detesta de primeira e muitas vezes de segunda, de terceira, de quarta... Eu não sou do tipo simpática, pareço mais forte do que sou na verdade. Tento passar pras pessoas que sou inabalável o que às vezes as amedrontam, mas a verdade é que eu sou muito frágil, até demais. Pra me magoar basta só eu gostar de você e qualquer pingo do “i” fora do seu lugar e eu já estou fazendo drama. E quando eu falo drama é drama mesmo, do tipo comeu a irmã-gêmea e matou o padre que tinha caso com ela. É, eu sou assim, drástica.
A questão é que eu escondo a minha felicidade do mundo, daquele clichezinho adolescente “não grite a sua felicidade, a inveja tem ouvidos aguçados”? Pois é, eu escondo e me finjo de morta. Pro mundo a Juliana ou é deprimida ou nada. Não sou de contar histórias felizes, sou de gargalhar, de rir muito, mas não sou de sorrir, tenho um amigo que diz que tirar um sorriso verdadeiro de mim é uma conquista árdua, eu também acho. Talvez seja por esse meu jeito escrachado, não me preocupo muito com o que as pessoas vão pensar, então elas não se preocupam nem um pouco em me fazer sorrir, devem se perguntar se eu mereço. E eu não mereço definitivamente. Eu não faço questão das pessoas e elas não fazem questão de mim. Essa é a ordem natural das (minhas) coisas.
O problema é quando elas se importam. Todo o problema está concentrado aí. Quando elas gostam de mim e é recíproco, eu não sei como lidar com afeto, não sei mesmo, é como se eu travasse e virasse nada de vez. Aí eu viro nada, mas eu não quero ser nada, entendem? Eu quero ser alguma coisa pras pessoas que eu amo, mas eu não sei ser e aí elas ficam tristes.
Os meus melhores amigos são uns heróis, me aturam e até certo ponto me compreendem. Digo até certo ponto porque não dá pra fugir de uma reclamaçãozinha de vez em quando. Eu não os procuro, às vezes mal lembro que eles existem e quero muito que eles se dêem por satisfeitos por atender as ligações deles. Não é que eu esteja sendo pedante ou ache que faço um favor a eles, mas eu só sei ser assim, tem vezes que eu não quero falar e ponto. Quando eu quiser te ver aviso, ta? E me perdoem as patadas.
Um dos meus melhores amigos da faculdade diz que eu sou um E.T., eu que tenho que fazer contato, porque se ele me liga, eu não atendo, se me procura mando dizer que não estou. Não é maldade, eu só preciso do meu tempo e nem sempre o meu tempo bate com o dos outros. Eu não sei mostrar o que eu sinto sem parecer mecânico, eu não sei exibir a minha felicidade, mas há pessoas que gostam de declarações públicas de afeto e muitas vezes eu não sei o que fazer. Como declarar todo o meu amor sem parecer patética? Como parecer que não foi forçado? Como ser natural? Eu não saberia fazer isso sem colocar um nariz de palhaço, com certeza, mas eu quero tentar, eu quero ser mais humana. É que eu tenho tanto medo...
Escolhi isso aqui pra me disfarçar. Todas as vezes que escrevo em terceira pessoa, sou eu. Na maioria das vezes os meus textos são autobiográficos. Muito de mim está aqui, muita coisa que nunca ousei admitir ou expor ao mundo lá fora. Eu gosto de me ter no controle, eu gosto de estar no controle de todas as coisas e quando não está tudo ao meu gosto, do jeito que eu gostaria que estivesse, eu choro que nem criança e quero jogar tudo pro alto.
Eu sei que sou um ser ALTAMENTE complexo. E nem estou pedindo pra entender alguma coisa do que escrevi. Esse é só mais um meio de colocar pra fora o que está me incomodando. Eu não gostaria de ser assim, eu queria muito demonstrar ao mundo como eu amo a pessoa que está ao meu lado e o quanto ela é maravilhosa e importante pra mim, mas acho que não sei fazer isso sem não ser eu, e por mais confuso que pareça essa é a verdade. É a minha verdade confusa e dramática e talvez não seja nada disso.
Eu só quero dizer que eu amo você, que é essencial na minha vida e que mais uma vez estou sendo implícita, mas eu estou tentando e já é um grande passo. Tudo começou a fazer sentido quando eu te conheci.
Obrigada por tudo.
Juliana Lobo às 4/8/2008 06:58:51 PM
3/31/2008
Não é que não estivesse tudo bem, um dia perfeito entre tantos atribulados. Ela se sentia um pouco vazia ainda, não gostava de histórias sem desfecho, um final assentado. Parecia que ainda havia algo escondido, uma impressão que atacava sua paz, ela queria esquecer, queria, mas a cabeça funcionava por si só, aquela mensagem não deveria existir.
Era certa de seu amor, mas a vida prega peças que jamais entenderíamos. Como poderia entregar seus caminhos em meio a dúvidas? Até quando fingir que não existiu? Pois existiu e sem explicações lógicas. Por mais que a subjetividade fosse o seu forte a lógica pedia espaço.
Quer ficar bem, quer parar de chorar, esquecer o que houve e recomeçar, mas dói, pois vive o dilema entre o que pode lhe magoar e fazer feliz. E infelizmente as duas sensações estão concentradas na mesma pessoa.
Juliana Lobo às 3/31/2008 11:19:47 AM
3/26/2008
Pauta para o site - Capricho TDB
Liberdade, moralidade, coisas óbvias e afins.
A Holanda me surpreende a cada dia. Seja liberando o uso de drogas ou o sexo em praças públicas. Sim, sexo ao ar livre permitido, numa boa, só respeita as crianças, ok? Ok. Um outro grande passo do mundo moderno.
Num mundo onde se prende cada vez menos criminosos que estupram, roubam e matam e cada vez mais gente que comete pequenos delitos, é um avanço. Porque sim, pode parecer muito saidinho da minha parte, mas as pessoas vivem fazendo sexo por aí, na surdina, rezando para não serem pegos apenas porque desejam variar um pouquinho. Sexo nem sempre se limita a cama e todo mundo por aí já deveria saber disso. É mais que óbvio, minha gente, mais que óbvio.
Esse tipo de iniciativa me faz pensar que o mundo tem jeito, que se pode sim, confiar no bom-senso do ser humano, afinal desde que o mundo é mundo as pessoas fazem sexo ao ar livre, você que não vê (ou até vê para os mais descuidados), o que prova que proibir nunca adiantou muita coisa. Na verdade se tem uma coisa que eu concordo é com o dito popular do “proibido é mais gostoso” e saber que estamos livres para podermos escolher é uma conquista.
Sempre tive medo de determinadas “liberdades”, medo de virar uma anarquia, uma Sodoma e Gomorra, mas penso que devemos acreditar que podemos ser consciente sim, mesmo que não mereçamos esse voto de confiança. A Holanda está aí, pra mostrar que é possível, que não virou a casa da mãe Joana, um país que se respeita o livre-arbítrio. Sou totalmente a favor da filosofia em que eu posso fazer o que quiser comigo, desde que meus atos não gerem consequências à terceiros, é questão de educação, de saber seus próprios limites, não precisa de muito esforço não.
O problema do povo é achar que tudo é muito feio, uma imoralidade. Quando o mundo parar de vendar seus olhos para a realidade e dar conta que o feio muitas vezes vem de dentro, pode apostar que viveremos numa sociedade muito mais civilizada, onde deixaremos de lado a moralidade (e consequentemente a hipocrisia) para começarmos a pensar com a racionalidade.
Juliana Lobo às 3/26/2008 06:03:31 PM
3/25/2008
Não é que não tivesse nada pra contar ou dizer, certos silêncios falam por si só. Mesmo com a dor, ainda era capaz de resistir aos ferimentos provocados pelo mundo. O sangue não escorria mais por não saber se ainda existia em sua veias. Perdeu parte de si mesma num jogo sem apostas. Sua mudez foi o que lhe restou.
Juliana Lobo às 3/25/2008 02:24:35 PM
3/24/2008
Melissa no Deserto dos Pastores Orientais.
Todos os anos os Pastores Orientais se reúnem para celebrar a liberdade com grandes corridas pelo deserto. Entre a juventude e a idade adulta todos os seres desse povo cigano fazem uma grande viagem. Com eles a Melissa aprendeu que...
... mesmo que estejamos no meio do caos de nosso próprio templo, é fundamental buscar a chave de nosso equilíbrio. Nunca é tarde demais para recomeçar o que parece perdido, nem é cedo o bastante para arriscar a ser feliz. Correr é sua forma de liberdade, descanso para um espírito tantas vezes encarcerado. A selvageria é retomada ao toque do vento nos cabelos, o horizonte torna-se sua casa. Aproveitar cada momento é o único mandamento, sem medo ou rédeas. Viva, corra, seja Melissa.
Votem em mim, galera. (tô extremamente comercial, noooossa!)
Juliana Lobo às 3/24/2008 12:36:42 PM
3/19/2008
TDB Capricho - pauta para o site.
Em quê eu acredito? Quando descobrir te aviso.
Na minha adolescência busquei incessantemente uma base religiosa que respondesse às minhas expectativas, minha infância foi católica no meio de uma família metade messiânia, metade evangélica. Sempre existiu essa variedade de religiões , o que muitas vezes gerou alguns conflitos.
Até os meus quinze anos, frequentei a igreja católica veemente procurando respostas para todas as dúvidas da minha vida, não encontrei. E até hoje ainda existem muitas dúvidas. Resolvi virar evangélica, dar aulas de teatro pra criancinhas, crente (literalmente) que ia dar em alguma coisa, não deu. Não nasci pra ser puritana, pois até na mais liberal das igrejas evangélicas ainda me sentia como uma pecadora de carteirinha. Sem contar o quanto me irritava o tom de “minha verdade é absoluta” que eles passavam. E particularmente nem sou fã de coisas incontestáveis.
Durante um longo péríodo segui acreditando em Deus sem precisar de igrejas, templos, terreiros ou sei lá o quê. Talvez não tenha nascido para pensar coletivamente, geralmente defendo as minhas idéias sozinha por acharem “ imoral demais”. Não que eu realmente me importe com o que acham, só me aborrece essa hipocrisia operante de moral e bons costumes. É tudo uma grande babaquice, como se não fossem humanos passíveis de erros. De certa forma, parece que o mundo se esconde numa casca e finge de morto. Fingir de morto não é comigo, nunca foi, falo mesmo o que penso. Ponto.
Ao longo da minha busca sobre verdades li muito. Li sobre verdades que contestei, que acreditei, que dei de ombros. Todas são verdades, até as que não transparecem o meu ponto de vista são verdades, depende de quem lê. Descobri teorias, resoluções e hoje não posso dizer o que sou ou no que acredito. Talvez toda essa história seja uma grande baboseira. Talvez nada disso tenha existido e tenha sido manipulado.
Conheci há uns anos um judeu, precisei entrevistá-lo e achei estranho os judeus considerarem comer carne de porco quase um pecado, e ele respondeu: “Você tem idéia de como os porcos eram criados naquela época? Comê-los seria pedir para quase morrer. Proibindo, ditando como pecado, afastaria os seguidores daquela carne, não concorda?” É claro que isso foi uma opinião pessoal dele, não sei se é verdade, mas tem sentido, muito sentido. Afinal, o que são os mandamentos? Se eu não tiver na cabeça que comer a mulher do meu amiguinho e depois matá-lo é errado, se isso não fosse aceito pela sociedade quantos adultérios e assassinatos teriam (à mais) por aí? Fato. Os mandamentos são apenas direções para se viver em paz com seus semelhantes. Só e apenas. Não, não se preocupe com o inferno, amiguinhos, ele não existe.
Hoje posso dizer que eu sou agnóstica, mas tenho medo. Preciso meio que ver pra crer e por mais contraditório que isso pareça, de certa forma acredito que há uma força superior também. Talvez seja o costume de ter acreditado uma vida inteira. Talvez seja a esperança ainda reluzente. Não sei, é o grande mistério. A questão é que sempre busquei respostas nos lugares errados, elas na verdade estão em mim. Como disse, não posso dizer o que sou, talvez o que não sou, mas não o que sou, não descobri ainda. Questão de tempo e por que não fé?
Juliana Lobo às 3/19/2008 10:02:09 AM
3/14/2008
Devemos recomeçar. Tentar de novo o que talvez já esteja desgastado, não é inteligente simplesmente jogar fora um sentimento tão bonito, dias tão fantásticos, por desentendimentos. Devemos permacer unidos até que tudo o que houver se esgote. Aí poderemos dizer que tentamos até o fim.
Se faltar amor, é porque nunca foi amor, e por favor jamais repita que é melhor acabar com tudo do que conviver com a certeza que jamais daria certo.
Pois meu maior receio seria conviver com a dúvida de que se realmente teria dado errado.
Juliana Lobo às 3/14/2008 11:00:15 AM
3/12/2008
e eu sinto falta dos seus lábios
não apenas juntos aos meus,
mas me sussurrando ao ouvido.
- apenas me permita estar ao seu lado.
Juliana Lobo às 3/12/2008 05:37:34 PM
3/6/2008
Querido Umabel,
Digo que estarei ao seu lado em todos os momentos, tanto nesses dias difíceis quanto quando está tudo bem. Porque sempre vai estar bem enquanto tivermos um ao outro. E você me tem, não por pena ou interesse, me tens porque soube cativar.
Se todos os dias fossem ao seu lado, sem dúvida seriam os melhores dias e mesmo quando as coisas dão errado, elas de certa forma dariam certo. Só com a sua presença. Não sei o que pode significar a palavra justiça nesse mundo, mas você não merece todas essas surpresas desagradáveis. Não merecemos.
A sensação de estar de mãos atadas é mais que desconfortável, é insuportável. Saber que nossas vidas saíram do controle é algo tão fraco. Sinto-me cada vez mais fraca, como se especular uma melhora não fosse suficiente.
Mas vai melhorar. Quando se cai a única opção é levantar-se novamente, não há outros caminhos, apenas o de se seguir em frente. Situações ruins podem chamar outras melhores. E vão chamar, porque acredito em você, acredito em nós.
Como se o mundo não fosse o bastante para a força do nosso amor.
Da sua e sempre sua,
Larissa
Juliana Lobo às 3/6/2008 12:17:50 PM
3/4/2008
A pior verdade é aquela que tem que ser engolida.
Nua e crua.
Juliana Lobo às 3/4/2008 06:13:06 PM
3/3/2008
E cada vez mais pessoas se casam, entram de branco na igreja, fazem planos de nomes dos filhos. E cada vez mais pessoas se divorciam, pagam advogados, rasgam fotos, querem esquecer o passado. Vidas recomeçam e se renovam a cada dia, pessoas destroem e são destruídas e se parar para pensar, os fortes ainda estão aqui.
Há mais promessas, muito mais mentiras, votos de felicidade, de fidelidade, uma aprendizagem a cada instante. Gente pequena que se cria sozinha porque gente grande está muito preocupada em ver o tempo passar e nem perceber.
Era ontem que brincava de boneca, não foi tanto tempo que guardou os carrinhos, balas e pirulitos não trazem mais aquela alegria instântanea, abraçava o mundo com braços pequenos, agora pula a corda da vida. A amarelinha não é mais feita de giz é escrita por medo na estrada das nossas escolhas, se não se equilibra está fora.
Não se acredita mais no amor, é o ódio e não a esperança que morre por último, onde tudo isso vai parar? O que é verdadeiro hoje? Sorrisos esbranquiçados, cabelos colados, peitos de plástico. Até onde vai o artificial? Tá todo mundo igual, senhoras e senhores, não existe mais autenticidade. Cadê a gargalhada gostosa, cadê os dias na praia jogando frescobol sem saber jogar? Cadê a sinceridade? Há o julgamento antes de se conhecer, antes mesmo de ser.
Muitas perguntas e as respostas tão simples estão dentro de nós. Quando dizem que a gente complica, assino embaixo.
Juliana Lobo às 3/3/2008 02:23:59 PM
2/28/2008
Acordou triste. Seus dias estavam tristes e seus olhos andavam molhados. Falta alguma coisa, não se sabe. Se todas as perguntas não passassem de meras interrogações, estariam secos.
Deserto de idéias, flores murchas, coração ainda primaveril. Como todas as folhas de outono que caem na calçada esperando serem pisoteadas. O inverno está aí. Estações da alma.
No vai-e-vem de sentimentos, a bipolaridade toma conta do que antes era terra de atitudes automáticas. Viver automaticamente como se ninguém estivesse escutando. Na verdade ninguém está. Sua passada é curta e seus movimentos silenciosos. O que passa em sua cabeça? Nem o tempo dirá, pois ninguém é realmente dono de seus pensamentos.
Se pudesse escolher haveria flores em seu jardim, mas não pode, são as estações – repetia – são as estações. Deve-se respeitar a ordem das coisas, aguardar cada broto ansiosamente, a chuva vai passar e o céu voltará a se abrir.
Quem sabe assim não será mais tão triste. Voltará a sorrir novamente.
Juliana Lobo às 2/28/2008 09:40:18 AM
2/21/2008
TDB Capricho - Pauta para o site.
... sexo sem amor, é vontade.

Ela não era apaixonada, teve vontade, foi lá e fez. Pegou suas coisas, entrou no táxi, sem direito à café-da-manhã e beijo de bom dia. Saciou-se e foi embora, sem olhar pra trás, sem se sentir pior, ouviu os seus instintos. Certíssima.
Não queimamos sutiãs à toa para simplesmente segurar nossos desejos. A mulher pode sim transar casualmente sem problema algum. Chega desse papo de esperar telefonemas no outro dia. Há necessidades que não dependem de sentimento, são carnais e só. Sem o machismo de “o que vão pensar de mim?” ninguém tem que pensar ou não pensar, somos donos de nossas vidas e nossas atitudes dizem respeito só a nós mesmas (quando não prejudicam ninguém).
A questão é deixar de lado esse pensamento provinciano de que não podemos ser plenamente realizadas no sexo. Sexo com amor é bom, mas quando não há amor não é de todo ruim, afinal não estamos apaixonadas em tempo integral e simplesmente não dá pra dar uma de celibatária durante essa época de não-paixão.
Não deixa trauma, não dói, não tira pedaço, você não vai ser menos mulher por esse motivo, não vai ser apontada na rua e nem vão jogar legumes em você. Se rolar sentimento depois, se joga e conquista, não deixe pra depois e nem pense “mas será que ele me achou fácil?” que nada, tem que ser é muito bem-resolvida pra isso, homem de sorte.
Chegou em casa, jogou as chaves na mesa de centro, despiu-se e tomou um longo banho. Dormiu como um anjo, com a naturalidade de uma pecadora. Sorriu, nunca fora tão respeitada, nunca se respeitou tanto.

2/19/2008
Edição 1040 – TDB Capricho, Pauta 2.
I´ve got a friend.

Meus amigos escolho a dedo. Todos eles estão no mesmo patamar, sem rótulos, são amigos e só. E tudo isso. Posso contá-los nos dedos de uma das mãos. São poucos, mas são pra sempre. Quando digo: “_Você é meu amigo.” Assinou a sentença de ser eterno. Obrigada a todos os meus amigos.
A internet me apresentou pessoas maravilhosas, pessoas que passaram, que voltaram, outras que nunca saíram, algumas que fecharam a porta pra sempre. Apresentou lembranças e surpresas não só ao monitor, mas também ao telefone e o melhor de tudo me apresentou uma amiga.
Uma menina do meio do Brasil, que nunca abracei, nunca trocamos olhares e com certeza não estive ao seu lado nos momentos mais importantes da sua vida, mas caracterizá-la como virtual seria injusto, pois a confiança é mais que verdadeira.
É a confiança que contrói relações, não o toque. Restringir amigos à fronteiras é uma escolha ingrata, quantas pessoas fantásticas existem espalhadas por aí? Seria um desperdício não conhece-las.
Se quiser dizer que é virtual, que diga, mas é o virtual mais real que existe.

2/15/2008
Eu não sou suficiente. Não sou a mais bonita, não sou a mais legal, mais simpática, mais rica, com mais contatos, eu simplesmente não sou suficiente. Não me sinto grande, não sinto que faço alguma diferença e definitivamente nunca fiz coisas importantes. Nunca fiz alguém chorar de verdade, todas as lágrimas eram de mentira. Até onde vivi uma mentira? Até quando vou escutar passos que não deveriam ser ouvidos?
Eu não sei dizer palavras bonitas, nem sei como fazer bem a alguém, talvez saiba fazer mal, mas se fiz mal foi de mentira como todas as outras coisas que não existiram. Se sorriu foi por educação. Se piscou foi cisco. Se deixou de amar, nunca amou. Aquela música nunca foi minha, os meus dias nunca foram como eu narrei. São invenções de uma mente insuficiente. Insuficiência de tudo, insuficiente de mim. Os passos ecoam, tapo os ouvidos, mas eles ainda estão aqui.
Se eu disse não era pra dizer. Se calei a boca era pra gritar. Falo demais, falo demais, nunca o suficiente, não sou suficiente. Não sou. Não sou. Pare de mentir, as malas estão sempre feitas, mesmo quando não se quer partir. O pior é ir aos poucos, o pior é ir indo, alternadamente. Mutilação diária. Eu ouço passos, eu ouço passos.
Eu não sou desse jeito que vê. Eu sou uma mentira, uma mentira mal-contada. Não sei mentir, não mais. Não tem mais brilho nos olhos, onde eles estão? Cadê? Não tenho olhos verdes e o monstro me persegue. Adivinha que não é o que eu quero, adivinha. Não fui esculpida. Não fui lapidada. Não sou arte. Nem rascunho. Sou página e ponto. Vermelho.
Insuficiente pra você.
Quem quer escutar o que não se quer ouvir?
Juliana Lobo às 2/15/2008 11:03:16 AM
TDB Capricho - Pauta para o site.
Amy WINEhouse premiada e sem presente do Papai Noel.
Música é música. E o Grammy prestigia a área musical, não o comportamento. Se você não se comporta bem não ganha presente do Papai Noel, não gramofones. Se Amy sabe fazer o trabalho dela e faz bem feito, não importa se ela cheira, joga amarelinha ou dorme, ela o faz e pronto.
O problema das pessoas está em não saber dividir as coisas do jeito que deveria ser. Amy não é um exemplo de mulher, assim como existem vários não-exemplos no mundo. Julgar é hipocrisia, minha gente! Sua imagem está abalada, mas seu talento continua lá, intacto. É questão de visualizar a realidade de uma forma mais ampla.
Deve-se para pra pensar que ela é apaixonada por música e quem sabe a música pode salvá-la. Os prêmios podem ser um estímulo a mais, algo como: “supere-se, siga em frente, há mais em você do que imagina”. Quantos talentos são perdidos pelas drogas? Pessoas que infelizmente não agüentaram a pressão e procuraram outros caminhos. Criticar funciona? Ajuda? Não! A humilhação que existe em seu cotidiano já é o bastante. Amy escolheu por isso – você pode pensar – mas às vezes as escolhas são impostas e dependem da fraqueza de cada um.
O que eu digo não é apologia, nem um “ah, coitada da Amy, tão drogadinha...”, mas não ter o tipo de pensamento mimado da sociedade que aponta os defeitos dos outros para esquecer um pouco o próprio umbigo. Todos sabemos dos nossos defeitos, não precisamos que nos digam ao pé do ouvido. Nossos méritos ninguém vê, porque não é interessante, porque não é polêmico, porque não tem graça.
Deixem-na com os gramofones, porque prêmios pela sua má conduta ela já tem de sobra e tenham certeza que não são nada consoladores.

2/8/2008
TDB Capricho - Pauta para o site.
Preta, Preta, Pretinha...
Preta é linda a sua forma. Tem quem goste, tem quem não goste. Situações como o “caldo” em Ipanema acontecem todos os dias, com pessoas gordas e magras, porém quando se trata de uma pessoa da mídia o tombo toma outras proporções.
Se a atitude de processar é radical? Talvez. Está querendo chamar a atenção? Talvez. Porém se um “caldo” na praia já atrai flashs e se sua forma física não a livra de comentários por aí, não vejo necessidade nenhuma de usar de meios jurídicos para chamar a atenção. Preta pode ser o que for, podem gostar dela ou não, mas qualquer brincadeira tem limite e quando passa do saudável a coisa muda de figura.
Você pode ser a pessoa mais segura da face da Terra, pode achar seu corpo lindo mesmo fora dos padrões, mas toda essa situação já foi demais. Os termos pejorativos que foram usados saíram do limite do respeito e se tornaram apenas mais uma brincadeira sem graça. É claro que a Preta não tem o corpo da Sabrina. É claro que eu não tenho o corpo da Sabrina e se nos colocássemos lado a lado quem seria a baleia da história seria eu.
As pessoas devem saber brincar, assim como nossos pais nos ensinaram que não devemos caçoar do dotes físicos alheios como, por exemplo, aquele narigudo da sexta série que insistia em te mandar bilhetinhos na aula. Dispensá-lo com um: “_Oi? Já viu o tamanho do seu nariz?” iria no mínimo deixá-lo bem aborrecido.
É claro que a culpa pode ter sido dela, ninguém mandou levantar a bandeira das gordinhas pelo Brasil afora, afinal, Preta não é a primeira gordinha na mídia, existem outras por aí, porém ela praticamente se auto-intitulou embaixadora dos fora dos padrões. E essa postura lhe rendeu provocações desnecessárias.
Pois é, colhe-se o que se planta, o ideal mesmo seria manter-se longe da mídia por um tempo e não jogar mais lenha na fogueira.
Será que consegue?

2/6/2008
Edição 1039 – TDB Capricho, Pauta 1.
A dor não escolhe gênero.
Acabou. As cartas na gaveta viraram lembranças e o porta-retrato está vazio. A conversa do fim de tarde significou o encerramento de um ciclo que nem estava completo. A paixão existia, mas era de via única e a ela só restava chorar.
Era outra pessoa, um outro alguém que se apodera do seu “alguém” sem pedir licença, talvez sem querer, por um acaso da vida. Porque não se decide por quem se apaixonar. E aconteceu, doeu como todos os fins em ambas as partes, nos dois corações.
Ele estremeceu ao contar, milhões de dúvidas na cabeça e assumir suas vontades, não era ela, nem outra, era outro. Descobriu, assumiu, optou por ser feliz. E se era assim, por mais que houvesse dor ela preferia a sinceridade, a verdade. Ninguém é satisfeito vivendo mentiras e assim foi. O coração não difere gênero e perdas são sempre perdas, não faz diferença.
Perdeu um companheiro, porém ganhou um eterno amigo.
O amor mais bonito é aquele em que se pode ser, sem limitações.

1/28/2008
Hoje escrevi um post no Nobre Berro que é digno do AVG.
Gostei muito.
Clique aqui para conferir.
Juliana Lobo às 1/28/2008 04:53:27 PM
1/21/2008
Desconexo.
Quer que o mundo se divida em três mundos, que o céu se transforme e que as estrelas a prendam nas nuvens. Quer virar anjo, mulher, criança, semente, qualquer coisa que a façam ver que a vida tem outro significado. Não sabe o que quer, não sabe. Quem sabe?
São trópicos que lutam entre si, o quente e o frio, o suor e o tremor, são duas vias de chão, caminhos distintos que levam para o mesmo lugar. Direita ou esquerda. Esquerda. É destra. O oposto de si. A outra mão que escreve seu Livro dos Dias.
Se fosse parar pra pensar seria uma vitória-régia. Meio nome vencedor. Meia vitória? O que rege a vitória? Vitória-régia. Vira anjo, vai dormir.
Vença.
Juliana Lobo às 1/21/2008 12:52:48 PM
1/9/2008
"O talento sem iniciativa nunca atinge seu potencial. É como uma lagarta que não chegará ao casulo. Ela nunca se transformará, fadada para sempre a rastejar no chão, mesmo tendo o potencial de voar."
- John C. Maxwell, Talento Não é Tudo, página 69
Juliana Lobo às 1/9/2008 09:19:55 AM
1/8/2008
Borboletas são sinais de mudanças não são?
Boas mudanças, por favor.
- e façam figa, ok?
Juliana Lobo às 1/8/2008 06:38:43 PM
1/3/2008
As vozes.
“Recomece. Renovar, re-existir. Crie, recrie-se, transforme o seu mundo em qualquer outro mundo. Coloque tudo no lugar, retire tudo do lugar. Arrisque, mude, exagere, dance, reviva. Você pode, nunca é tarde, vai lá, vai lá! Deixa esse passado pra trás, corra pelo seu futuro, vai! Adiante-se, você é capaz.
Re- recomece.
Ou não.
Deixe tudo como está, porque está bom, talvez não seja exatamente o que você quer, mas é assim, temporariamente imutável, seguro e é como vai ser. Assim: perfeitamente alinhado, desse jeito está e desse jeito vai ficar. Fique, deixe. Deixe tudo como está. É certo, já está assim, pra quê mexer?”
E agora?
Estava lá ouvindo as suas vozes interiores – e nossa, como elas falam! Repetiam alternadamente as duas opções que todo ser humano têm em qualquer época de suas vidas: manter ou mudar. Não, ninguém poderia escolher, opinar, mandar ou desmandar, porque a vida era dela e dela ela deveria cuidar. É responsabilidade que não se pode desviar de si, é seu, nasceu contigo, é dono do seu caminho e suas escolhas podem mudar toda uma jornada. Com um passo errado muda-se uma história, com um passo certo se constrói uma história. A questão é: como escolher esses passos? Não soube responder.
Batia o indicador na mesa impacientemente, suas vozes exigiam uma resposta que não tinha no momento e discutiam entre si. Era quase uma competição de qual voz iria escutar. Vaidade de vozes? Que loucura... Estaria enlouquecendo? Talvez, mas o talvez era tão incerto para uma certeza que precisava ter. Confusão de pensamentos, estalos de idéias, a incerteza da loucura e o indicador batendo na mesa. Parou, respirou fundo, saiu do mundo, caminhou até a janela, o vento.
Fechou os olhos e a sua respiração estava mais tranqüila com aquele carinho de Deus no rosto, os cabelos se permitindo embaraçar sendo levados pelo mais abstrato das sensações. O sentir e não ver. O acalanto da alma, pois tudo o que vem, vem no momento certo. Abriu os olhos e dali mesmo descobriu o mistério. A resposta estava exatamente nesse delicado gesto.
Abra os olhos e logo verá que só há três opções: o chão, o horizonte, o céu.
Onde desejas chegar?
Juliana Lobo às 1/3/2008 09:23:17 AM
12/31/2007
Às vezes o que me conforta também é o que me entristece.
Juliana Lobo às 12/31/2007 01:08:56 PM
12/30/2007
Não adianta procurar, não vai encontrar o que lhe incomoda.
O podre se enconde debaixo do tapete, longe dos olhos.
Finjo que não sei, que não posso enxergar.
Tá tudo bem.
O problema do esperto é achar que engana alguém.
Rá, espera amor, a tua hora vai chegar.
Juliana Lobo às 12/30/2007 10:58:56 PM
12/9/2007
“...se lembra quando a gente
chegou um dia a acreditar
que tudo era pra sempre
sem saber
que o pra sempre, sempre acaba...”
Carta à um destruidor,
Quantas vezes comecei meus textos com a frase “um destruidor é sempre um destruidor”? Já perdi as contas. Mas é a pura verdade. Se quer saber, ninguém mata a essência de ninguém. Existem necessidades que não podemos suprir, da mais grotesca até a mais avassaladora.
Avassaladora, sempre gostei dessa palavra, mesmo antes de sair o filme. Avassalador talvez seja a vontade que temos de sermos especiais. Quem não quer ser especial, único? O problema, meu bem, é que quem procura acha. E eu já cansei de achar e me findar em promessas que duraram pouco.
Têm gente que gosta de acreditar em ilusões, tem gente que se permite acreditar por acha-las gostosas. Eu me permiti, então não te culpo, meu erro foi achar que seria especial para você. Foi prepotência, arrogância mesmo, o erro foi meu, eu errei, eu arco com as conseqüências. Fiz-me cegar inocentemente, acreditei em tudo o que disse e não que fossem mentiras, mas existem as necessidades, que eu não posso mudar em você.
E são essas necessidades que eu não tolero. A realidade é diferente das ilusões, são opostos que não se atraem e são a minha forca. Os passos que se dão até morrer. Vivemos anos em dias, décadas em meses, vidas em momentos, mas não dá mais. Estou tão calma que até me surpreendo. A calma que só o desespero dá, se lembra? Como gosta dessa piada! E quantas vezes mais lembrarei de você? Só o tempo vai dizer, por mais que seja piegas, não se lembra do que não se esquece.
Obrigada por tudo, por ter sido meu colo, minha base, meus sonhos, obrigada de verdade. Obrigada por ter me feito lembrar de como se escrevem cartas, de como é sentir ciúme, posse. Só que você não é meu, você é seu e só seu. Eu digo com toda a sinceridade do mundo que fui só sua, mais sua do que minha e eu nunca me deixei ser de ninguém.
Agora você me tem e terá por toda a eternidade, o amor me encontrou em você e não vou manda-lo embora de mim, porque amor é pra sempre, lembra? Só não tenho forças pra encarar essas necessidades. Sou mais fraca do que pensava e esse inferno entre nós dois tem de acabar. Acabar antes que o que era belo se torne feio, antes que eu me desfaça em mais pedaços.
Agradeço de todo o coração, por ter sido o único que conseguiu me destruir, tenho orgulho de você, meu amor, tenho muito orgulho.
Nem sempre a dor é tão ruim assim.
Da sua e sempre sua,
Juliana.
Juliana Lobo às 12/9/2007 01:46:00 PM
12/5/2007
Deixe-me com meus pensamentos,
Tomando os meus venenos
Sendo o que me restou.
Deixe-me com a minha vontade,
De dizer a verdade
Do que realmente ficou.
Deixe-me com a pobreza de espírito,
Com o negro borrado da face
Refletindo todo o desenlace
Do que está a vir partir
Deixe-me só com a minha rima
Pobre e envelhecida,
Rápida e pessimista
Como o disco que repete na vitrola sem querer.
Esquece que toda palavra dita,
Merecida ou não merecida
Pouco a pouco pode fazer morrer.
tá horroroso, eu sei, mas saiu tão sem querer, tão cuspido, que tive que escarrar aqui.
Juliana Lobo às 12/5/2007 06:01:34 PM
11/10/2007
Aprendeu a ser sincera. Mas não aquela sinceridade que se limita à apenas não dizer mentiras, mas a sinceridade que vai além da pureza. Não se tornou santa, muito menos uma pessoa melhor, porém o alívio que essa sinceridade proporcionava lhe causara o efeito inevitável de desejar a reciprocidade.
Reciprocidade é justamente o substantivo que não combina com o adjetivo sincero. O que esperar do outro que não aprendeu a sinceridade? Aquela que não se limita, logo aviso.
Essa sinceridade é mais do que palavras rasgadas ao outro, é deixar rasgar-se também; sentir a dor de magoar quando poderia facilmente omitir. É, a omissão também entra nesse ciclo de dores, não esconder e não mentir, optar pelo modo difícil, escolher cicatrizes além de flores e no final sentir a felicidade incontestável de ser o que realmente é.
Aprendeu e não recebeu a temida reciprocidade, detalhava seus dias e acontecidos com a veemência de quem reza à Deus. O medo de cada frase que transbordava de seus lábios era nítido, pois poderiam ser fatais, mas falava e falava e falava mesmo com o medo, mesmo com a sensação de haver dias infernais porquê estava sendo o mínimo que poderia ser: ela.
Virou-se e viu um livro novo na cabeceira do outro lado, estava sozinha e ler seria a melhor opção para uma aprendiz de literata, e ao abrir deparou-se com um nome na folha de rosto: Raquel Morais. Um descuido, uma opção, um nome. Três fatores arrasadores à recíproca não verdadeira.
Arrumou as malas, avisou que iria embora com a plenitude que só a decepção ensina, pediu pra esperar enquanto não chegava do trabalho, pediu pra não ir embora, acatou.
Guardou as malas num canto, acendeu um cigarro e escreveu.
Quem sabe um dia todas as suas pseudo-escrituras também estariam na cabeceira de alguém?
Um livro sem espaços em branco para não haver o nome de ninguém.
Juliana Lobo às 11/10/2007 02:28:19 PM