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19.4.08

"_Era uma distração." - ele disse.
Descobriu-se ingênua e nem sabia.

. postado por Juliana Lobo às 12:05 PM


8.4.08

Não é que eu não seja explícita, pelo menos eu sempre achei que era, mas hoje descobri que no meio da total falta de vergonha na cara pode haver sim um pouco de timidez.

Nunca gostei exatamente de me expor, não a figura propriamente dita, mas eu mesma, euzinha, a por trás de todas as máscaras da vida. Não é que eu seja falsa ou coisa assim, mas para sobreviver nessa sociedade caótica é preciso esconder determinados pontos de si mesmo. É assim comigo, é assim com todo mundo.

Quem me conhece imagina uma coisa, a maioria me detesta de primeira e muitas vezes de segunda, de terceira, de quarta... Eu não sou do tipo simpática, pareço mais forte do que sou na verdade. Tento passar pras pessoas que sou inabalável o que às vezes as amedrontam, mas a verdade é que eu sou muito frágil, até demais. Pra me magoar basta só eu gostar de você e qualquer pingo do “i” fora do seu lugar e eu já estou fazendo drama. E quando eu falo drama é drama mesmo, do tipo comeu a irmã-gêmea e matou o padre que tinha caso com ela. É, eu sou assim, drástica.

A questão é que eu escondo a minha felicidade do mundo, daquele clichezinho adolescente “não grite a sua felicidade, a inveja tem ouvidos aguçados”? Pois é, eu escondo e me finjo de morta. Pro mundo a Juliana ou é deprimida ou nada. Não sou de contar histórias felizes, sou de gargalhar, de rir muito, mas não sou de sorrir, tenho um amigo que diz que tirar um sorriso verdadeiro de mim é uma conquista árdua, eu também acho. Talvez seja por esse meu jeito escrachado, não me preocupo muito com o que as pessoas vão pensar, então elas não se preocupam nem um pouco em me fazer sorrir, devem se perguntar se eu mereço. E eu não mereço definitivamente. Eu não faço questão das pessoas e elas não fazem questão de mim. Essa é a ordem natural das (minhas) coisas.

O problema é quando elas se importam. Todo o problema está concentrado aí. Quando elas gostam de mim e é recíproco, eu não sei como lidar com afeto, não sei mesmo, é como se eu travasse e virasse nada de vez. Aí eu viro nada, mas eu não quero ser nada, entendem? Eu quero ser alguma coisa pras pessoas que eu amo, mas eu não sei ser e aí elas ficam tristes.

Os meus melhores amigos são uns heróis, me aturam e até certo ponto me compreendem. Digo até certo ponto porque não dá pra fugir de uma reclamaçãozinha de vez em quando. Eu não os procuro, às vezes mal lembro que eles existem e quero muito que eles se dêem por satisfeitos por atender as ligações deles. Não é que eu esteja sendo pedante ou ache que faço um favor a eles, mas eu só sei ser assim, tem vezes que eu não quero falar e ponto. Quando eu quiser te ver aviso, ta? E me perdoem as patadas.

Um dos meus melhores amigos da faculdade diz que eu sou um E.T., eu que tenho que fazer contato, porque se ele me liga, eu não atendo, se me procura mando dizer que não estou. Não é maldade, eu só preciso do meu tempo e nem sempre o meu tempo bate com o dos outros. Eu não sei mostrar o que eu sinto sem parecer mecânico, eu não sei exibir a minha felicidade, mas há pessoas que gostam de declarações públicas de afeto e muitas vezes eu não sei o que fazer. Como declarar todo o meu amor sem parecer patética? Como parecer que não foi forçado? Como ser natural? Eu não saberia fazer isso sem colocar um nariz de palhaço, com certeza, mas eu quero tentar, eu quero ser mais humana. É que eu tenho tanto medo...

Escolhi isso aqui pra me disfarçar. Todas as vezes que escrevo em terceira pessoa, sou eu. Na maioria das vezes os meus textos são autobiográficos. Muito de mim está aqui, muita coisa que nunca ousei admitir ou expor ao mundo lá fora. Eu gosto de me ter no controle, eu gosto de estar no controle de todas as coisas e quando não está tudo ao meu gosto, do jeito que eu gostaria que estivesse, eu choro que nem criança e quero jogar tudo pro alto.

Eu sei que sou um ser ALTAMENTE complexo. E nem estou pedindo pra entender alguma coisa do que escrevi. Esse é só mais um meio de colocar pra fora o que está me incomodando. Eu não gostaria de ser assim, eu queria muito demonstrar ao mundo como eu amo a pessoa que está ao meu lado e o quanto ela é maravilhosa e importante pra mim, mas acho que não sei fazer isso sem não ser eu, e por mais confuso que pareça essa é a verdade. É a minha verdade confusa e dramática e talvez não seja nada disso.

Eu só quero dizer que eu amo você, que é essencial na minha vida e que mais uma vez estou sendo implícita, mas eu estou tentando e já é um grande passo. Tudo começou a fazer sentido quando eu te conheci.

Obrigada por tudo.

. postado por Juliana Lobo às 6:58 PM


Juliana Lobo, 21. Maricá - RJ
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