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<description>Personal blog</description>
<link>http://www.aindavirogente.blogger.com.br</link>
<title>Ainda viro gente</title>

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<title>8/11/2008 12:36:18 PM</title>
<description><![CDATA[<b>Chuveiros, rosas de plástico e fotografias. </b><br /><br />O chuveiro me irrita. A água não esquenta o suficiente. Nos dias frios dá vontade de só trocar a calcinha, mas acabo entrando no chuveiro, a irritação me faz sentir viva. A luta travada todos os dias com um objeto, um maldito chuveiro que não esquenta. Às vezes ganho, nem sempre perco.<br /><br />Há uma rosa de plástico em minha mesa, ela está lá há mais de um ano, uma rosa imortal. A imortalidade me assombra. Todo mundo quer ser lembrado pra sempre, quer ser algo ou alguém, quer aquela sensação infinita de vivacidade. Algumas pessoas devem desejar apenas por um dia travar uma luta com o chuveiro, mas elas não assumem, estão sendo invejosamente felizes.<br /><br />Todos os dias eu olho pra rosa e ela sem olhos revida o olhar. Rosas de plásticos não precisam de vasos, ela está ali jogada em um porta-caneta, entre um marca-texto e um pilôr.  Algumas vezes cismo que ela me pede água ou sol, ou que a tire dali. Só então percebo que condenei a rosa a viver os meus dias. O lugar dela não é ali. Acho que a rosa me rejeita.<br /><br />De tanto conviver com quem não suporto nessa vida, desaprendi a tratar as pessoas que amo. Tenho seis fotos na minha mesa cinco delas são de pessoas com quem trabalho, cinco fotos de pessoas que não suporto mais ver. Mas há uma que foge a regra e é pra essa foto que olho quando a rosa me rejeita, nessas horas eu lembro que não sou o monstro que finjo ser. <br /><br />Acho que vou rasgar todas as fotos e jogar a rosa de plástico no mar.<br />Pensei em consertar o chuveiro. Desisti.<br />]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<b>Chuveiros, rosas de plástico e fotografias. </b><br /><br />O chuveiro me irrita. A água não esquenta o suficiente. Nos dias frios dá vontade de só trocar a calcinha, mas acabo entrando no chuveiro, a irritação me faz sentir viva. A luta travada todos os dias com um objeto, um maldito chuveiro que não esquenta. Às vezes ganho, nem sempre perco.<br /><br />Há uma rosa de plástico em minha mesa, ela está lá há mais de um ano, uma rosa imortal. A imortalidade me assombra. Todo mundo quer ser lembrado pra sempre, quer ser algo ou alguém, quer aquela sensação infinita de vivacidade. Algumas pessoas devem desejar apenas por um dia travar uma luta com o chuveiro, mas elas não assumem, estão sendo invejosamente felizes.<br /><br />Todos os dias eu olho pra rosa e ela sem olhos revida o olhar. Rosas de plásticos não precisam de vasos, ela está ali jogada em um porta-caneta, entre um marca-texto e um pilôr.  Algumas vezes cismo que ela me pede água ou sol, ou que a tire dali. Só então percebo que condenei a rosa a viver os meus dias. O lugar dela não é ali. Acho que a rosa me rejeita.<br /><br />De tanto conviver com quem não suporto nessa vida, desaprendi a tratar as pessoas que amo. Tenho seis fotos na minha mesa cinco delas são de pessoas com quem trabalho, cinco fotos de pessoas que não suporto mais ver. Mas há uma que foge a regra e é pra essa foto que olho quando a rosa me rejeita, nessas horas eu lembro que não sou o monstro que finjo ser. <br /><br />Acho que vou rasgar todas as fotos e jogar a rosa de plástico no mar.<br />Pensei em consertar o chuveiro. Desisti.<br />]]></content:encoded>
<author>raphatoselli@ig.com.br (Juliana)</author>
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<link>(Endereço do blog)/2008_08_01_archive.html</link>
<pubDate>8/11/2008 12:36:18 PM</pubDate>
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